sábado, 27 de outubro de 2018

28/10/2018, UM DIA DECISIVO: ELEIÇÕES, REDES SOCIAIS E DESAFIOS À DEMOCRACIA BRASILEIRA



José Vieira da Cruz

As redes sociais, já há algum tempo, representam outras formas de comunicação: massivas, individuais e com filtros de mediação, de identificação e de responsabilização frágeis. Nos últimos tempos, portanto, acompanhá-las e decifrá-las têm sido um dos grandes desafios contemporâneos.
Diante delas, a imprensa tradicional, os partidos políticos e, até mesmo, as universidades e seus pesquisadores, enquanto formadores de opinião, precisam (re)pensar seus papéis, ações e zonas de conforto.
Enquanto isso, é central compreender como, em tempos de liberdade e de acesso democrático à informação, (pré)conceitos racistas, de gênero, de classe, de regionalidade e atinentes à vida são evocados, banalizados e considerados.
Neste momento de decisão - imerso por milhões de postagens, links, vídeos, fotos e animações -, é essencial verificar a origem da fonte dessas informações, bem como, o lugar, a intenção e a posição de quem as produziu. E ainda, de como essas informações – filtradas as manipulações e as inverdades, fake news –, expressam a soberania nacional, a vontade popular e o conhecimento socialmente partilhado.
Inter-relacionado a tudo isso, a democracia, enquanto sistema político, não é perfeita e tem suas contradições, mas, seguramente, ainda é o que melhor garante o direito às liberdades individuais, de expressão e políticas. A conquista destas liberdades, ao longo da história, custou vidas e desperta sentimentos em favor da cidadania e de soberania entre os povos.
Parafraseando um ditado popular europeu, notabilizado pelos escritos da filosofa judia, ativista contrária ao Nazismo e aoFascismo, Hannah Arendt, de que “não precisamos jogar fora a criança junto com a água do banho”, podemos dizer que não precisamos fragilizar a democracia ou eliminá-la por causa de algumas ações de políticos antiéticos. Estes precisam responder por seus atos, no entanto, a democracia não deve ser criminalizada.
Não joguemos fora o aprendizado da democracia em razão de contradições inerentes ao jogo da política e que podem ser superados pela justiça, pelas urnas e pela vontade popular crítica e consciente.
Em nossa tenra História Republicana, premida entre militares e bacharéis, com suas espadas e leis, nenhuma ditadura, nem a do Estado Novo, 1937-1945, nem a Civil-militar, 1964-1985, reivindicou para si o referido título. Ao contrário, em nome da depuração dos valores morais, religiosos e patrióticos, deformaram as instituições republicanas, a democracia e os direitos humanos através da censura, do fechamento do parlamento, de prisões arbitrárias, de torturas, de assassinados e jogando para baixo do tapete escândalos de corrupção e éticos.
O mais grave é que as ditaduras, não importa onde elas ocorram, sempre começam com o apoio de parte da sociedade que logo se ressentem dos seus efeitos.
Temos ciência e consciência de que vivemos, nos dias atuais, outros formas de violências deferidas cotidianamente contra o(a)s cidadã(o)s brasileiro(a)s de todas as idades, gêneros, classes, etnias e regiões. Vivemos uma realidade na qual não se pode ignorar as mais de 60 mil mortes violentas registradas anualmente, nem os grupos que estão mais vulneráveis a esse genocídio. Mas as propostas para resolução desse problema não podem provocar mais mortes e mais violência. É preciso agir sobre as causas, sejam elas as desigualdades ou a impunidade, promover políticas de inclusão étnicas-culturais e de gênero, de respeito às leis, de promoção da paz, de tolerância política e de justiça social.
Uma autocrítica é necessária e quiçá surja com a mesma celeridade e alcance proporcionado pelo fenômeno das redes sociais! Mas enquanto isso, é preciso avaliar as consequências da escolha política que será realizada, por cada um de nós, no próximo domingo, dia 28 de outubro de 2018.
Neste momento decisivo, votarei pela democracia, contra qualquer exaltação ou referência à ditadura e as suas práticas. Votarei em respeito à justiça social, a diversidade e em respeito ao outro.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

UMA SEMANA DECISIVA: ELEIÇÕES, REDES SOCIAIS E DESAFIOS À DEMOCRACIA BRASILEIRA


José Vieira da Cruz

 

As redes sociais, já há algum tempo, representam outras formas de comunicação: massivas, individuais e com filtros de mediação, de identificação e de responsabilização frágeis. Nos últimos tempos, portanto, acompanhá-las e decifrá-las têm sido um dos grandes desafios contemporâneos.
Diante delas, a imprensa tradicional, os partidos políticos e, até mesmo, as universidades e seus pesquisadores, enquanto formadores de opinião, precisam (re)pensar seus papéis, ações e zonas de conforto.
Enquanto isso, é central compreender como, em tempos de liberdade e de acesso democrático à informação, (pré)conceitos racistas, de gênero, de classe, de regionalidade e atinentes à vida são evocados, banalizados e considerados.
Neste momento de decisão - submersos por milhões de postagens, links, vídeos, fotos e animações -, é essencial verificar a origem da fonte dessas informações, bem como, o lugar, a intenção e a posição de quem as produziu. E ainda, de como essas informações – filtradas as manipulações e as inverdades, fake news –, expressam a soberania nacional e a vontade popular.
A democracia, enquanto sistema político, não é perfeita e tem suas contradições, mas, seguramente, ainda é o que melhor garante o direito às liberdades individuais, de expressão e de escolhas políticas. A conquista destas liberdades, ao longo da história, custou vidas e desperta sentimentos em favor da cidadania e de soberania entre os povos.
Parafraseando um ditado popular europeu, notabilizado pelos escritos da filosofa judia, combatente do Nazismo e do Fascismo, Hannah Arendt, de que “não precisamos jogar fora a criança junto com a água do banho”, podemos dizer que não precisamos fragilizar a democracia ou eliminá-la por causa de algumas ações de políticos antiéticos. Estes precisam responder por seus atos, no entanto, a democracia não deve ser criminalizada.
Não joguemos fora o aprendizado da democracia em razão de contradições inerentes ao jogo da política e que podem ser superados pela justiça, pelas urnas e pela vontade popular crítica e consciente.
Em nossa tenra História Republicana, premida entre militares e bacharéis, com suas espadas e leis, nenhuma ditadura, nem a do Estado Novo, 1937-1945, nem a Civil-militar, 1964-1985, reivindicou para si o referido título. Ao contrário, em nome da depuração dos valores morais, religiosos e patrióticos, deformaram as instituições republicanas, a democracia e os direitos humanos através da censura, do fechamento do parlamento, de prisões arbitrárias, de torturas, de assassinados e jogando para baixo do tapete escândalos de corrupção e éticos.
O mais grave é que as ditaduras, não importa onde elas ocorram, sempre começam com o apoio de parte da sociedade que logo se ressentem dos seus efeitos.
Temos ciência e consciência de que vivemos, nos dias atuais, outros formas de violências deferidas cotidianamente contra o(a)s cidadã(o)s brasileiro(a)s de todas as idades, gêneros, classes, etnias e regiões. Vivemos uma realidade na qual não se pode ignorar as mais de 60 mil mortes violentas registradas anualmente, nem os grupos que estão mais vulneráveis a esse genocídio. Mas as propostas para resolução desse problema não podem provocar mais mortes e mais violência. É preciso agir sobre as causas, sejam elas as desigualdades sociais ou a impunidade, e promover políticas de inclusão e de respeito às leis como uma estratégia para promoção de paz e de justiça social.
Uma autocrítica é necessária e quiçá surja com a mesma celeridade e alcance proporcionado pelo fenômeno das redes sociais! Mas enquanto isso, é preciso avaliar as consequências da escolha política que, cada um de nós, realizará no próximo domingo, dia 28 de outubro de 2018.
Domingo, votarei pela democracia, contra qualquer forma e discurso que exalte ou faça referência a ditadura e suas práticas. Votarei em respeito à justiça social, a diversidade, em respeito ao outro.

sábado, 2 de junho de 2018

Um defensor das artes e da democracia (texto em construção)


A notícia do dia de ontem, 29/05/2018, do desaparecimento de José Carlos Teixeira, ex-deputado federal, uma das referências do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ex-governador do Estado de Sergipe, uma das lideranças na resistência democrática contra a ditadura civil-militar e um importante mecenas das artes, marca um momento de perdas e de reflexão.
José Carlos militou no cenário político ao lado de figuras como Ulisses Guimarães e Teotonio Brandão Vilela. A exemplo dois mencionados políticos, a sua formação liberal e humanista não permitiu que ele se curva-se as mazelas da ditadura.
Além de sua interlocução na defesa de presos e de perseguidos políticos ele, ao longo de sua vida, atuando em muitas vezes como mecenas, apoiou a divulgação e promoção das artes, em particular em ações relacionadas as artes clássicas.

Dom Luciano e seu legado (texto em construção)

Dom Luciano e seu legado (texto em construção)

A notícia do dia ontem, 29/05/2018, do desaparecimento do Arcebispo emérito de Aracaju, Dom Luciano Cabral Duarte, além dos significados atinentes ao seu posto eclesiástico, exigi em respeito as suas contribuições a cultura e a educação brasileira, uma significativa reflexão de seu legado.
Para além, de suas posições religiosas e políticas, a sua formação e atuação humanista, seja como uma da referência da Juventude Universitária Católica, nas décadas de 1950 e 1960, seja no debate sobre a Reforma Universitária, na década de 1960, e no movimento de criação da Fundação Universidade Federal de Sergipe (1948-1968), ou ainda, na sua atuação no Conselho Federal de Educação e em outros conselhos deliberativos e consultivos, o notabilizam como personalidade chave para compreender a Igreja Católica, a política, a educação e a sociedade brasileira na segunda metade do século XX.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Uma história de ativismo estudantil




Afonso Nascimento


Professor de Direito da UFS



Geralmente associado (mas não necessariamente) a grupos políticos de esquerda, o movimento estudantil vive uma crise importante que é também a crise da esquerda brasileira. Essa crise tem tudo a ver com o fim da experiência do comunismo em todas as partes do mundo. Especificamente em relação ao Brasil, houve um refluxo do movimento estudantil provocado pela redemocratização do país nos anos 80 do século passado. Quando ocorreu o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Afonso Collor de Mello, o ME ganhou um importante protagonismo puxado pela mídia naquilo que ficou conhecido como “os caras pintadas”. Com a chegada ao poder pelo Partido dos Trabalhadores, a esquerda e o ME também chegaram ao poder e de certa forma se acomodaram. Presentemente, com a nova crise que se abateu sobre a esquerda por conta de seu envolvimento com problemas de corrupção, observa-se um novo refluxo e um inédito avanço da direita estudantil nos campi universitários pelo país afora e, embora a esquerda estudantil ainda seja hegemônica em tais espaços, não consegue mobilizar estudantes para uma participação política mais expressiva. O Brasil sofreu um golpe de estado em 2016 e conhece uma crise política que mistura estado de exceção e democracia e, apesar de não faltarem bandeiras do seu interesse, o movimento estudantil está muito “parado”.


É nesse contexto de refluxo do movimento estudantil brasileiro que, em boa hora, foi lançado em fins de 2017 o novo livro de José Vieira da Cruz (doravante chamado de Vieira da Cruz) sobre o movimento estudantil (VIEIRA DA CRUZ, José. Da autonomia à resistência democrática. Movimento Estudantil, Ensino Superior e sociedade em Sergipe (1950-1985). Maceió: EDUFAL, 2017). Para quem não o conhece, Vieira da Cruz é um historiador sergipano com graduação e mestrado pela UFS e doutorado pela UFBA e que é, no momento, professor e vice-reitor da Universidade Federal de Alagoas. Esse seu novo trabalho é a transformação de sua tese de doutoramento num livro de mais de seiscentas páginas. Isso é dito, não com o objetivo de desestimular a sua leitura, mas para dar uma ideia da qualidade e da densidade da obra desse jovem historiador. Vamos dar mais algumas informações sobre o livro.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

CIÊNCIA, RESPONSABILIDADE SOCIAL E SOBERANIA: TEMA SBPC 2018






José Vieira da Cruz*

  



A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), fundada em 1948, promove  há 70 anos reuniões entre as sociedades científicas a ela associada. Atualmente mais de 130 sociedades, de diferentes áreas do conhecimento estão associadas a SBPC. Nestas Reuniões Anuais (RA), em regra, realizadas alternadamente em universidades de diferentes regiões do país, o evento costuma reunir, em média entre 12 a 15 mil pessoas de diferentes faixas etárias, desde pesquisadores seniores a jovens cientistas, além de está aberta a toda à sociedade.


sábado, 6 de janeiro de 2018

"Um silêncio profundamente eloquente" - Clodoaldo de Alencar Filho – Reitor Emérito da UFS (1988-1992)




José Vieira da Cruz* 

O argumento de que o significado de uma imagem vale mais que mil palavras, expressão popular atribuída a Confúcio, conhecido filósofo chinês, nem sempre é suficiente para abstrair os conteúdos e sentidos que uma imagem contém e pode gerar.
Na foto em tela, registro o encontro com o professor Clodoaldo de Alencar Filho, Reitor Emérito da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em um café citadino de Aracaju, ocorrido ontem 05/12/2018. Frente a esse registro fotográfico e ao título atribuído, resta-me, explicar algumas dos sentidos da imagem e do encontro.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Este livro é sobre a História do Brasil - Entrevista com José Vieira da Cruz


Por Eugênio Nascimento - Jornal da Cidade

 
Jornal da Cidade: O pesquisador e professor Dr. José Vieira da Cruz, atualmente vice-reitor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), lançará no dia 14/11/2017, terça-feira, no horário das 17h às 20h, no Museu da Gente Sergipana, o livro “Da autonomia à resistência democrática: movimento estudantil, ensino superior e a sociedade em Sergipe, 1950-1985”.  Como o senhor descreveria a sua trajetória profissional e acadêmica?


José Vieira da Cruz: Primeiro agradeço ao espaço e a oportunidade de falar do lançamento do meu livro e um pouco de minha trajetória de vida. Nasci na cidade de Aracaju, filho de um marceneiro aposentado e de uma agricultora e dona de casa. Sou graduado em História (1998) e mestre em Sociologia (2003), ambos pela Universidade Federal de Sergipe. O doutorado (2012) foi na Universidade Federal da Bahia (UFBA), defendendo a tese, agora convertido em livro, que será lançada dia 14/11/2017, no Museu da Gente Sergipana. Profissionalmente, exerci a docência na Rede de Educação do Estado de Sergipe (1998-2013) e na Rede Municipal de Educação de Aracaju (2002-2013). Fui professor do Curso de História na UFS  e na UNIT. E, desde 2013, exerço a docência junto ao curso de História do Campus do Sertão/UFAL e junto ao Programa de Pós-graduação em História/UFAL. Sou membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), da Academia Alagoana de Educadores (ACALE) e da Comissão de Altos Estudos do Arquivo Nacional.


Jornal da Cidade: Além da autoria do livro “Da autonomia a resistência democrática”, que outras pesquisas são de sua autoria?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Da autonomia à resistência democrática


José Vieira da Cruz*



O Brasil tem vivenciado tempos difíceis e de grandes incertezas. Nestes momentos, discutir como a sociedade, as universidades e o País superaram alguns de seus desafios pode ajudar a pensar outros horizontes e expectativas.
Imerso em torno deste propósito, o livro de nossa autoria, ?Da autonomia à resistência democrática: movimento estudantil, ensino superior e a sociedade em Sergipe, 19501985?, publicado pela Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), discute, a partir da atuação do movimento estudantil universitário, o esforço da sociedade para criar a Universidade Federal de Sergipe (UFS). Este esforço teve e tem como propósito pensar o desenvolvimento científico, humano, social e sustentável da economia local inserida no contexto nacional e global.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A História (inter)rompida da UEES



José Vieira da Cruz
(Historiador e professor da UFAL)

DOUGLAS, Rafael. Diz. 2012
As discussões sobre os 50 anos do Golpe civil-militar, ocorridas no curso deste ano, estão ocupando a agenda de muitos fóruns acadêmicos, repercutindo no mercado editorial (com a publicação de livros, coletâneas e revistas) e nas redes sociais (com postagens de notícias, filmes, documentos, charges, entre outros). A dimensão atribuída a essa repercussão, em parte, está associada aos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e de suas congêneres nos estados.
Mas, como é de conhecimento público, as ações dessas comissões centram-se apenas no estudo dos casos de violação de direitos humanos – deixando de lado outras formas de transgressões de direitos – ocorridos entre o período de vigência da Constituição de 1946, aprovada após o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1946), e a aprovação da Constituição de 1988, incluindo o período da ditadura Civil-militar (1964-1985) e o período de transição democrática que antecede a aprovação da referida Carta Constitucional.  
Entre os direitos violados e não estudados pelas referidas comissões estão os casos de intervenção e de fechamento, por parte dessas ditaduras, de entidades da sociedade civil: partidos, sindicatos, associações, ligas camponesas, companhias de educação  (e de cultura popular) e entidades estudantis.
Neste contexto, a União Estadual dos Estudantes de Sergipe (UEES), fundada inicialmente como o nome de União dos Estudantes de Sergipe (UES), nos primeiros anos da década de 1950, congregou, até fevereiro de 1967, os estudantes universitários no estado, no período que antecede a criação da “Fundação Universidade Federal de Sergipe  (FUFS)”.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A peça "Dias Felizes" o Teatro da Cultura Artística de Sergipe


 José Vieira da Cruz



No Brasil, a segunda metade do século XX foi fértil na organização de “sociedades culturais” com o intuito de apoiar apresentações artísticas ligadas à música clássica e ao teatro. Essas instituições, impulsionadas pela contribuição de seus sócios, patrocinadores e/ ou pela obtenção de alguns investimentos públicos, viabilizaram uma série de apresentações de artistas e companhias culturais nacionais, e mesmo internacionais como o Realk Ballet da dinamarca, Ballet Bolshoi, Ballet del teatro Colon de Buenos Aires, do Bollet da Ópera de Paris, do violinista Ruggiero Reci, da Ópera Rigolleto, entre inúmeros outros[5].

Sem Comissão da Verdade



José Vieira da Cruz
(Historiador e Professor da UFAL)

As discussões a respeito do período da Ditadura Civil-militar fazem parte de um passado ainda muito próximo. No Nordeste, em particular Sergipe, as experiências (de resistência) e o jogo de interesses deflagrados frente à “nova ordem política” imposta, a partir de março de 1964, foram diversos, contraditórios e, em parte dos casos, traumáticos. Em Sergipe, esses interesses e contradições revelam significados a respeito de como a sociedade tem dificuldade em lidar com esse passado, a ponto de ser um dos poucos estados do país a não possuir uma comissão (estadual da) verdade. 

domingo, 7 de julho de 2013

Emancipação política de Sergipe: uma teia de significados



Sergipe comemora mais uma emancipação política. Em deferência a essa efeméride republico  um texto sobre o assunto.
 



https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1093&bih=498&q=SERGIPE&oq=SERGIPE&gs_l=img.12...0.0.0.3174.0.0.0.0.0.0.0.0..0.0....0...1ac..19.img.w5H0PfsOawU#facrc=_&imgdii=_&imgrc=dK4ygtGG8tZkfM%3A%3BBCp9SxXhILBNMM%3Bhttps%253A%252F%252Fsi0.twimg.com%252Fprofile_images%252F805905029%252Fsergipe_custom.jpg%3Bhttps%253A%252F%252Ftwitter.com%252Foguiadesergipe%3B444%3B552

José Vieira da Cruz*


Assim, como o ato de lembrar é uma forma de reconhecimento, a rememoração da emancipação política de Sergipe é uma oportunidade para avaliar a importância deste acontecimento para a história do Brasil e, particularmente, desta história a partir de Sergipe. Parafraseando Le Goff, alimentar a memória de homens e mulheres a respeito de um acontecimento histórico requer gosto, estilo, paixão, rigor e método. Embora, nem sempre seja possível reunir em uma exposição tantas qualidades, cabe, nessa oportunidade, evocar o registro do Decreto de 8 de Julho de 1820 e a teia de significados históricas que ele envolve.


sábado, 6 de julho de 2013

Ecos das manifestações de junho

 


José Vieira da Cruz

Historiador e professor da UFAL


Ao som do verso “vem pra rua” – refrão que parece ter se transformado em um dos hinos dos protestos ocorridos no mês de junho – vários cidades do país de norte a sul, de leste a oeste, do litoral ao sertão, das grandes cidades as de médio porte, foram sacudidas por multidões que foram as ruas reivindicar mais saúde, mais educação, menos corrupção, ética na política, punição aos corruptos, liberdade quanto à orientação sexual, enfim, em meio a uma agenda ampliada, gritavam por um país melhor.
A força e a velocidade desse movimento, impulsionado em grande parte pela dinâmica das redes sociais, parece ter superado o foco que a mídia desejava fazer em relação à Copa das Confederações. Esta última, em vários momentos, teve parte de seu espaço cedido aos brasileiros(as) de diferentes idades, gêneros, classes e interesses políticos/ ideológicos que participavam das manifestações.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

As manifestações de junho - Por Ibarê Dantas



 infonet.com.br
Em entrevista concedida ao "Jornal do Dia", publicado no dia 30 de junho de 2013, o historiador e cientista político Ibarê Dantas, aqui intitulada "As manifestações de junho - Por Ibarê Dantas",  tece uma avaliação inicial das implicações políticas das manifestações ocorridas no mês de junho, expressa seu olhar sobre a necessidade de uma reforma política,  dos significados acerca da noção ampliada de democracia/cidadania, dos limites da contenção pela violência dessas manifestações, da temeridade  da convocação de uma assembleia constituinte e  questiona a eficácia  que a realização de um plebiscito pode produzir.
Vale a leitura:

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Campus do Sertão estuda a realidade histórica e cultural do semiárido alagoano e suas áreas de influência

Campus do Sertão estuda a realidade histórica e cultural do semiárido alagoano e suas áreas de influência
Diana Monteiro – jornalista
 
26 de Junho de 2013
 
“Olhares de Clio” é promovido pelo curso de História e conta com participação de universitários e alunos do ensino fundamental e médio e representantes da sociedade local.       
              


   

sábado, 15 de junho de 2013

A Revolta dos Centavos e seus significados



DOUGLAS, Rafael. Las Grades. Abril, 2012
(DOUGLAS, Rafael. Las Grades. Abril, 2012)

José Vieira da Cruz
Professor e historiador

As manifestações contra o aumento das tarifas de transporte coletivo, eclodidas em várias cidades do país no curso dos últimos meses, têm chamado bastante atenção. Manifestações parecidas já aconteceram no Brasil, a exemplo da “Revolta do Vintém”, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, entre dezembro de 1879 e janeiro de 1880, quando os resultados dos protestos conseguiram revogar o aumento da tarifa de bondes e derrubar o Ministério que estava no poder. Na primeira metade da década de 1980, protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, intercalados por pichações e outras manifestações, compuseram o contexto de combate à ditadura civil-militar e fizeram parte do processo de redemocratização em várias cidades do país. E, mais recentemente, houve a “Revolta do Buzu”, ocorrido na cidade de Salvador, em 2011. Essas revoltas e manifestações, não obstante suas especificidades, têm em comum o combate ao aumento das tarifas de transporte coletivo.

domingo, 14 de outubro de 2012

Ruy Belém, a “Medalha Manoel José Bomfim” e as homenagens ao dia dos professores


 
 



Foto: Assesssoria de impressa da deputada Ana Lúcia Vieira 

José Vieira da Cruz
Doutor em História (UFBA), professor da SEED, da SEMED/AJU e da UNIT

Mais um dia 15 de outubro aproxima-se e, como de hábito, começam a surgir às primeiras homenagens aos professores e às professoras. Profissionais que – não obstante os desafios de seu ofício – estimulam e cultivam o desenvolvimento científico, artístico, cidadão e humano.  Este ano, vasculhando as primeiras notícias relativas a estas homenagens, deparei-me, nas redes sociais e nos meios de comunicação, com a notícia de que a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, palco de recentes embates em torno da valorização desses profissionais – dentre os quais me incluo –, estará conferindo uma homenagem àqueles que pautaram suas trajetórias profissionais à causa da educação.

A homenagem será conferida, mediante a concessão da “Medalha do Mérito Educacional Manoel José Bomfim”, a sete profissionais que atuam ou atuaram no campo da educação: Ruy Belém de Araújo, Maria Thétis Nunes, Virgínio José de Carvalho Neto, Marlene dos Santos Alves, Rusel Marcos Batista Barroso, Celina Nascimento Montalvão e a Ada Augusta Celestina Bezerra. Neste artigo, limitar-me-ei a tecer alguns comentários a partir de dois pontos de interlocução: a medalha que reccebe o nome de Manoel Bomfim e a homengem conferida ao prof. Ruy Bélem de Araújo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O silêncio retumbou: Mary Mesquita Dória partiu...

Clauber Benhur Santos dos Santos*

Na tarde de 21 de agosto de 2012, enquanto dirigia e ouvia por uma das emissoras de rádio os acontecimentos de nossa cidade, uma notícia em particular causou-me a sensação de um vazio que se abria no contínuo de nosso presente/passado. Refiro-me a notícia do falecimento de Mary Mesquita Dória. Porque repentinamente veio a minha mente essa emoção? Perguntei-me durante alguns instantes a respeito! E a resposta não tardou a aparecer, logo lembrei que durante a realização do trabalho de conclusão de curso de História  que realizei na Universidade Tiradentes, juntamente com dois outros companheiros, e sob a orientação do prof. José Vieira da Cruz, aprendi a importância dos estudos sobre atuação de personagens nem sempre evidenciados pela historiografia: entre eles as mulheres e os familiares de personalidades do mundo político, econômico e cultural. Pois bem, Mary Mesquita Dória é uma dessas personagens, pouco conhecidas mais que teve um papel digno de nota, registro e lembrança.